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Thursday, January 14, 2021

A Desigualdade de Género

Se lhe fosse pedido para fazer o desenho de uma pessoa cientista, a personagem seria homem ou mulher? A verdade é que a maioria das pessoas desenharia um cientista do sexo masculino, visto que as normas sociais e os estereótipos tendem a descrever assuntos e ocupações relacionados com a ciência como masculinos.

Embora diversas ações tenham vindo a acontecer na última década, para eliminar a sub-representação das mulheres na educação em ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM), ainda se verifica uma grande lacuna, especialmente na participação das mulheres em empregos relacionados com as STEM.

Imagem1: https://www.aauw.org/resources/research/the-stem-gap/

Embora a percentagem de investigadoras tenha aumentado em todo o mundo, elas são menos propensas a colaborar internacionalmente e têm muito menos publicações académicas do que investigadores do sexo masculino. Além disso, os resultados obtidos pelo Eurostat, mostram que na Europa, do número total de pessoas cientistas e engenheiras, apenas 40% são mulheres. Existe um desequilíbrio de género nos campos da matemática e nos setores de emprego industrial em todo o mundo. No geral, o número de mulheres cientistas empregadas ainda é significativamente baixo em todo o mundo, em comparação com os homens.

 

O impacto da desigualdade de género em meninas e mulheres

Mulheres e meninas ainda estão a ser excluídas da participação no campo das STEM. A qualidade da sua educação e as disciplinas que estudam são influenciadas por preconceitos, estereótipos e sexismo. A maioria das mulheres não tem motivação para seguir carreiras em STEM porque teme não ser levada a sério nessas posições e não obter as mesmas oportunidades que os homens. Outras razões que foram relatadas para a baixa participação das mulheres em posições de trabalho STEM, incluem ambientes de trabalho hostis e sexistas, a atribuição de tarefas enfadonhas, disparidades salariais, ausência de desenvolvimento de carreira e de reconhecimento. Além disso, descobertas feitas por outros estudos, indicam que os estereótipos de género na ciência, influenciam negativamente as ambições das mulheres, impedindo-as de se matricularem em cursos relacionados com as STEM na universidade.

 

Igualdade de género na educação STEM & crescimento económico

De acordo com o Instituto Europeu para a Igualdade de Género (EIGE - European Institute for Gender Equality), prevê-se que a necessidade de profissionais STEM aumente até 8% até 2025 e o emprego em cargos relacionados com STEM cerca de 6,5%. Assim, a sub-representação contínua das mulheres nas STEM resultará na perda de talento e irá contra o potencial de desenvolvimento da UE. A redução das desigualdades de género nas áreas de educação STEM, poderia ajudar a promover o crescimento económico por meio da maior produtividade e aumento da atividade do mercado de trabalho.

 

“Ao promover a igualdade das mulheres, US $ 12 trilhões poderiam ser adicionados ao PIB global até 2025” - Dharmendra Kanani, na página de Insights da Friends of Europe.

 

O aumento da participação das mulheres nas disciplinas STEM terá um forte impacto positivo no PIB a nível da UE. Mais especificamente, contribuiria para um aumento do PIB per capita da UE de 2,2 a 3,0% em 2050.

Imagem 2: https://www.pexels.com/photo/portrait-of-female-chemical-engineer-in-laboratory-3861463/

No dia 11 de fevereiro, as Nações Unidas celebram o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência. As Nações Unidas defendem que “ciência e igualdade de género são ambas vitais para o cumprimento das metas de desenvolvimento acordadas internacionalmente, incluindo a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.”.

PhysicsKIT4STEM ao resgate

O projeto PhysicsKIT4STEM do Erasmus +, visa fomentar o interesse das crianças dos 11 aos 15 anos pelas ciências. O PhysicsKIT4STEM aborda especificamente a questão do desequilíbrio de género nas salas de aula STEM e tem como objetivo incentivar as meninas aparticiparem de forma mais ativa em disciplinas da área das ciências e engenharias. O projeto oferece aos professores uma abordagem prática para ensinar física através de kits DIY(faz tu mesmo/mesma), componentes eletrónicos e programação, acionados por um computador Raspberry Pi.

O objetivo principal do projeto será alcançado através das seguintes atividades:

  • Conceção e desenvolvimento de um currículo para o uso do PhysicsKIT, sobre como ensinar aos alunos/às alunas conceitos de física, tais como movimento e forças, gravidade, vibração e eletricidade, através da criação de construções práticas, programação simples e computação física;
  • Elaborar um Glossário, explicando os termos usados na física, programação, eletrónica e computação física;
  • Desenhar e desenvolver o PhysicsKIT, movido por um computador de placa única, o Raspberry Pi, complementado por sensores e circuitos elétricos para simular e experimentar fenómenos físicos junto com um guia para construí-lo;
  • Planos de aula que darão suporte ao currículo, para construir kits e usar periféricos numa abordagem educacional prática;
  • Preparar um Ambiente de Motivação de Aprendizagem, para a passagem de informação dos conteúdos do currículo a professores/professoras e educadores/educadoras, para efeitos de retenção de competências;
  • Teste, validação e finalização dos recursos PhysicsKIT, manual e recursos do educador/da educadora;
  • Apoio aos resultados finais, por meio de um espaço virtual dedicado (Clube PhysicKIT), que fornece acesso a todos os resultados do projeto e como infraestrutura para apoiar o crescimento de uma comunidade de adotantes/praticantes/entusiastas.

Visite o website PhysicsKIT4STEM e a página do Facebook, para mais informações e novidades relacionadas com o projeto:

Página de Internet: https://physicskit4stem.eu/ 

Página de Facebook: https://www.facebook.com/physicskit4stem 

 

Referências